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Reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa: diálogos entre escola e universidade

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Esta obra resulta de pesquisas desenvolvidas tanto individualmente pelo corpo docente do Programa de Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, da Universidade Estadual Paulista – UNESP, quanto em parceria com seus orientandos. Esse Programa é oferecido em rede nacional, com a participação de instituições de ensino superior públicas no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB, cuja coordenação geral está sob a responsabilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Com área de concentração em Linguagens e Letramentos, o Programa possui duas linhas de pesquisa: Leitura e Produção Textual: diversidade social e práticas docentes; e Teorias da Linguagem e Ensino.
Em funcionamento desde agosto de 2013, o Programa tem como público-alvo os docentes egressos de cursos de graduação em Letras que lecionam a disciplina de Língua Portuguesa na educação básica, mais especificamente, no Ensino Fundamental. Sua criação visou à formação continuada desses docentes, fornecendo-lhes subsídios para atender suas demandas em relação ao ensino e desenvolvimento de pesquisas, bem como à socialização de resultados obtidos, pela aplicação de conhecimentos teóricos em campo. Justifica-se, então, a existência desta obra, bem como seu título.

 

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A tradição beletrista do país e o desprezo centenário, bem como generalizado dos pesquisadores das ciências humanas, biológicas e exatas pelo universo do conhecimento escolarizado fizeram com que obras de apoio pedagógico sempre fossem vistas com reserva pela academia e mesmo por outros agentes importantes para o sistema literário (como editores e representantes governamentais, por exemplo, exceto do ponto de vista econômico). O preconceito diminuiu em décadas recentes nas ciências humanas, mas nas ciências biológicas e exatas, o avanço é bem mais lento. Um exemplo claro disso pode ser observado no sistema de avaliação da produção docente da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES): os livros de cunho paradidático são, invariavelmente, menos prestigiados do que as demais obras – mesmo que boa parte das obras ensaísticas, por exemplo, embora bem cotadas nos rankings, estejam fadadas ao silêncio de estantes e depósitos de livros e periódicos.
Caminhando quase que em paralelo com o sistema literário, floresceu no país, ao longo do século XX, uma fértil indústria de livros didáticos das mais diversas áreas. Já na década de 1940, o recém-criado MEC computava mais de mil obras didáticas registradas (embora os critérios de avaliação fossem outros, a chancela dos governos era fundamental para a comercialização dessas obras). A partir dos anos 1970, com a mudança radical do formato da escola que, gradativamente, deixou de ser seletiva para incorporar as camadas mais populares da sociedade, os livros didáticos também se modificaram: se, até os anos 1960, predominavam antologias e livros técnicos acessíveis aos estudantes apenas com auxílio de iniciados, como os professores, depois disso, os livros passaram, cada vez mais, a assumir um papel didático efetivo, facilitando o acesso aos seus conteúdos sem intermediários.
A partir dos anos 1990, os livros didáticos ganharam mais prestígio, à medida que a distribuição dessas obras caminhou para a universalização. No entanto, esse prestígio não foi obtido pelo mérito, mas sim por conta das avaliações sistemáticas dos governos, dentro do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), principalmente. Essas avaliações sepultaram centenas de coleções didáticas e passaram a evidenciar um número mínimo de obras (na casa da dezena, por disciplina). Nesse momento, o terreno dos livros didáticos também passou a ser altamente visado, pois só sobreviveram os que possuíam volume de vendas gigantesco e/ou incorporavam coleções ligadas a grandes grupos empresariais.
O prestígio (do ponto de vista econômico) não foi suficiente para reverter um quadro que se percebe desde os anos 1970: o afastamento da academia da experiência de produção didática. Basta notar que nomes fundamentais das ciências humanas, como Antonio Candido, Afrânio Coutinho e Antônio Soares Amora, produziram ou colaboraram, entre os anos 1940 e 1960, na produção de textos voltados para a escola básica. Em décadas posteriores, nomes de proa do pensamento científico contemporâneo também transitaram pelo universo dos didáticos, como Dino Preti, Maria Tereza Fraga Rocco e Beth Brait, mas Magda Soares talvez seja uma das únicas representantes do primeiro time de pesquisadores brasileiros que insistiram nessa área, produzindo sistematicamente trabalhos didáticos desde os anos 1970 até os dias de hoje.
Ainda no campo da pesquisa, nem mesmo meio século de cursos de pós-graduação na área de Educação (em que a consolidação dessa área) alterou significativamente o quadro de indiferença da academia em relação à produção literária voltada à prática pedagógica. Em anos recentes, iniciativas, como o Programa de Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS, somam ao esforço de incomodar o estado de indiferença da academia à escolarização do conhecimento. Por essa razão, obras como “Reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa: diálogos entre escola e universidade”, geradas a partir de programas como o PROFLETRAS, devem ser recebidas com entusiasmo, pois significam a expansão do campo da pesquisa não apenas em áreas como Letras e Educação, mas, especificamente, na prática pedagógica.
No caso específico de “Reflexões...”, os temas enfrentados mostram como é possível aliar reflexões teóricas atualizadas com a problematização e a sugestão de práticas adensadas, como acontece na primeira parte do livro, em que se concentram capítulos que discutem a questão da leitura, da formação do leitor crítico e do produtor de textos em âmbito escolar e social. Ali, há um conjunto de possibilidades de trabalho didático, como a minuciosa abordagem da adaptação de Helena Gomes para o clássico Tristão e Isolda; o tratamento de um gênero textual de grande impacto na sociedade contemporânea, as tiras em quadrinhos; a abordagem das novas tecnologias (tema vibrante, mas de sistematização ainda iniciante nos currículos); a proposta de intervenção criativa a partir de jogos pedagógicos; a descrição de uma experiência com a produção escrita por meio de um projeto de letramento; a reflexão sobre a literatura (cujo ensino sempre se mostra em ‘suspensão’ no cenário escolar) e sobre o ensino da leitura – objeto visto por diferentes ângulos.
A segunda parte do livro também é corajosa, ao centralizar suas discussões sobre aspectos mais teóricos e gramaticais em sua aplicação ao ensino. É o caso, por exemplo, dos textos que discutem como os gêneros textuais (noção hoje alçada quase à condição de mantra) são apresentados nos textos didáticos. Também é o caso dos estudos que se voltam ao ensino da gramática – numa época em que, mesmo nos cursos de Letras, imagina-se, não raramente, que esse aprendizado se dá por osmose – o aluno aprenderia as estruturas do registro mais prestigiado da linguagem verbal escrita a partir da convivência intensa com textos manifestos a partir desse registro. O debate acerca do papel dos estudos sobre o Latim e o Grego na formação de professores, enfim, também parece arrojado, numa época em que tais assuntos são solenemente ignorados no cotidiano da formação e da prática escolar.
O livro, enfim, avança sobre flancos variados, com resultados também diversificados. Mas o olhar atento às práticas pedagógicas concretas é sempre necessário para combater a indiferença acadêmica, para testar, com elementos da ‘vida real’, princípios teóricos em voga e para assentar a cultura da pesquisa sobre temas não apenas educacionais, mas principalmente, escolarizáveis.

Juvenal Zanchetta Júnior
Professor Adjunto na UNESP, Câmpus de Assis

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